Meu Deus, me dê a coragem

"Meu Deus, me dê a coragem"

Autor: Clarice Lispector

Buscar na Web "Clarice Lispector"

"Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
o meu pecado de pensar."



 Uma caminhada na lua de Claudia Sousa Lima às 16:12:49
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   Um Sopro de Vida

"Oh Deus, eu que faço concorrência a mim mesma.
Me detesto.
Felizmente os outros gostam de mim.
É uma tranqüilidade."

(Clarice Lispector)



 Uma caminhada na lua de Claudia Sousa Lima às 12:06:00
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   Transitar...



Quando e enquanto se tem no nome a marca do caminhar penoso
Sonha-se em poder voar, sem saber como
Sonha-se com o desejo de estar entre os mortos
e entre os que, meios mortos, ainda vivem

Difícil é descobrir-se neste transitar de mundos e dimensões

Fácil seria ter nos ombros e nas ancas o peso das certezas
Fácil seria escolher um porto, um ponto de partida, uma paragem
Fácil seria não ter a dúvida de arrastar-se sem guias

Difícil é descobrir-se neste transitar de mundos e dimensões

Todavia, a mania de derramar sangue, de procurar por veios,
de buscar o vazio que enriquece, de gritar estando mudo
Faz o desejo da fuga se tornar excusa para persistir, sabendo que

Difícil é descobrir-se neste transitar de mundos e dimensões



 Uma caminhada na lua de Claudia Sousa Lima às 14:36:52
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   Onde ir

(Vanessa da Mata)

Eu não sei o que vi aqui
Eu não sei prá onde ir
Eu não sei porque moro ali
Eu não sei porque estou

Eu não sei prá onde a gente vai
Andando pelo mundo
Eu não sei prá onde o mundo vai
Nesse breu vou sem rumo

Só sei que o mundo vai de lá pra cá
Andando por ali
Por acolá
Querendo ver o sol que não chega
Querendo ter alguém que não vem (não vem)

Cada um sabe dos gostos que tem
Suas escolhas, suas curas
Seus jardins
De que adianta a espera de alguém?
O mundo todo reside
Dentro, em mim

Cada um pode com a força que tem
Na leveza e na doçura
De ser feliz.



 Uma caminhada na lua de Claudia Sousa Lima às 11:28:21
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Metade
(Oswaldo Montenegro)

Que a força do medo
que tenho não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo
em que acredito não me tape os ouvidos e a boca
pois metade de mim é o que eu grito
a outra metade é silêncio.


Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que amo seja
pra sempre amada mesmo que distante
pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.


Quer as palavras que falo
não sejam ouvidas como prece
nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
pois metade de mim é o que ouço
a outra metade é o que calo.


Que a minha vontade de ir embora
se transforme na calma e paz que mereço
que a tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
a outra metade um vulcão.


Que o medo da solidão se afaste e o convívio
comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita meu rosto
num doce sorriso que me lembro ter dado na infância
pois metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.


Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o seu silêncio me fale cada vez mais
pois metade de mim é abrigo
a outra metade é cansaço.


Que a arte me aponte uma resposta
mesmo que ela mesma não saiba
e que ninguém a tente complicar
pois é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
pois metade de mim é platéia
a outra metade é canção.


Que a minha loucura seja perdoada
pois metade de mim é amor e a outra metade também"



 Uma caminhada na lua de Claudia Sousa Lima às 11:12:19
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   Quando me escondo numa canção de Roberto...

Seria possível voltar ao lado escuro da lua
quando se tem a alma nem tanto encoberta nem tanto nua?
Vale a pena criar a expectativa da tentativa?

Se há a promessa da eterna "alegria triste" de uma canção de Roberto
Por que insistir em caminhar em direção ao negro inteiro e repleto?

Mas como não fazê-lo quando se é
curiosamente diligente em desejar intensamente conhecer?

 Uma caminhada na lua de Claudia Sousa Lima às 10:56:41
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   Tigresa

"Tigresa"

Autor: Caetano Veloso

Buscar na Web "Caetano Veloso"

"As garras da felina Me marcaram o coração, Mas as besteiras de menina Que ela disse não, E eu corri pra o violão num lamento, E a manhã nasceu azul, Como é bom poder tocar um instrumento."



 Uma caminhada na lua de Claudia Sousa Lima às 15:08:35
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Amigos,


Mudei o blog novamente, por dois motivos:

1) Não gostei do novo template.

2) Não sei o que acontece com o blog, mas ele não está atualizando os posts.

Ainda não consegui escrever nada que achasse interessante de publicar.


Assim que tiver algo, corro pra cá.



Beijos!!

 Uma caminhada na lua de Claudia Sousa Lima às 10:39:40
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Nova Fase ! ! !

Mudanças sem deixar de ser o mesmo lado...

 

(Não matei o bicho, não ! )



 Uma caminhada na lua de Claudia Sousa Lima às 20:14:32
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   Indelével

Indelével

Nada e tudo em mim anseia
E sem saber, apenas sinto a teia
Que ao redor me contorna
Simples corpo frio em água morna

Estando negligentemente amargurada
E da dor, inconstantemente, curada
Respiro o cheiro indelével da vida
Mato molhado pela chuva fria e sofrida

Na remota solidão desejada
De uma ilha a ermo e ensejada
Ocupo-me em pescar num relance ou num ardil
O amor ora sereno ora demasiado vil

Espalhando-se ao sabor do mar errante
Vago-mundo, mais uma nômade delirante
Berço de sonhos de um criador contumaz
Contrapondo-se entre ser pusilânime e audaz

A hora, inexata, se faz humana
O vagar tensiona a existência profana
Na descoberta da desimportância da captura
No lacônico piscar de olhos com candura

Melancolia e saudade
Sentir tristeza também é bom
Morrer um pouco e sempre é incrivelmente humano

________________________________________________


Misterio y melancolía de una calle - Giorgio de Chirico



 Uma caminhada na lua de Claudia Sousa Lima às 22:44:55
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 Uma caminhada na lua de Claudia Sousa Lima às 18:34:19
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   Apenas uma noite com chuva de estrelas




Nasço e recebo o féu de não ser o esperado
Nasço e sou quem já foi embriagado
Nasço, fora do tempo, brigando com a realidade
Nasço, não como garantia de felicidade

Cresço para ouvir-me como joio
Cresço, com pés tortos, sem curvas e sem apoio
Cresço, bem sei, com o que foi possível
Cresço, parando num tempo, num momento inesquecível

Mudo, embora não me modifique em vão
Mudo de morada, de corpo e de ilusão
Mudo de fuga em fuga, de escolha em desvario
Mudo de pensamento, de sentimento e de desvio

Amadureço, contudo não cedo
Amadureço, mesmo sabendo que o engano é ledo
Amadureço, contando com a dúvida da vida
Amadureço e não nego que sou ávida

 Uma caminhada na lua de Claudia Sousa Lima às 10:12:43
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"Não há o que perdoar
  por isso mesmo é que
  há de haver mais compaixão"

                           (Drão, Gilberto Gil)


Há Drão,
que é grão,
que é não,
que é vão,
que é são.

Drão,
dói,
mói,
destrói,
corrói,
inventa.



 Uma caminhada na lua de Claudia Sousa Lima às 12:59:30
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   "A razão porque mando um sorriso
E não corro
É que andei levando a vida
Quase morto "
________________________________________________


O sorriso se faz fala de um proscrito
O verso se nega a tornar-se escrito
As resistências se tocam num encontro malicioso
A serpente repete seu movimento sinuoso

As pedras permitem o reconhecimento do caminho
As flores amenizam a dor do estar-sozinho
As folhas lembram do prazer de ser incontido
Ainda que o galho tenha sido fendido

O sangue ainda cálido se desloca
O engrossar de veias quase sufoca
A noite mostra um astro estéril
Algumas vezes triste, outras tantas, febril

A estrada é desramada e generosa
A cauda derrabada torna-se valorosa
O suspiro da fera pode ser o derradeiro
O momento, assim, se faz verdadeiro

________________________________________________

________________________________________________

E estes surgiram por causa de "Para um Amor no Recife".

 Uma caminhada na lua de Claudia Sousa Lima às 18:35:46
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   Anatomia



Declaro: "Esta mão não é minha"
Esta criatura cuja escrita se desalinha
Que tem vida própria e plena
Mão de Afrodite, de Psiquê, de Helena

Declaro: "Os meus ouvidos estão alucinando"
Há certas cantigas cada vez mais me fascinando
Estes ouvidos são inoportunos e loucos
Me permitem ouvir a canção de poucos

Declaro: "Meus lábios são libertinos"
Lambem, mordem, beijam em meros desatinos
Estes marotos moleques que nada são
Sempre a buscar o sentido naquilo que é vão

Declaro: "Meus olhos mourejam incessantemente"
Superficiais e submersos, nadam languidamente
Eles têm cheiro de peixe e pescador
Sábios viventes do mar e do amor

Declaro: "Este pescoço é de coruja"
É capaz de perseguir a tudo antes que fuja
Contorcendo-se em voltas completas de 360 graus
A procura de Chapeuzinhos Vermelhos e Lobos Maus

Declaro: "Deste colo sai um fogo febril"
As labaredas têm um epicentro em cor azul-anil
Que abala as curvas dos seios
Marcando o caos entre rios, cachoeiras e veios

Declaro: "Meu umbigo é um mistério"
Contato com o fio condutor de um outro hemisfério
Nesta região central do ventre me deito num leito
Que me conduz de volta ao caminho e me serve de esteio

Declaro: "Nestas ancas correm vulcões em erupção"
Pesados monstros a jorrar lavas e destruição
Fértil estrada que unifica o pólo ártico e pólo austral
E quando há choque causam a desorientação total

Declaro: "Meus joelhos loucamente se articulam"
Permitem o dobrar e o esticar nos quais se acumulam
E nos suaves intervalos entre o abrir e o fechar
Gozam e gracejam do que acabam de achar

Declaro: "Estes pés cuidam em ser veículo e suporte"
Do que o caminho sugere e impõe que se aporte
Impedindo a queda atroz e inevitável
Burlando a lei destinal e infalível


 Uma caminhada na lua de Claudia Sousa Lima às 18:41:30
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   "Sou uma mentira
que não deseja nada,
exceto ser verdade"




 Uma caminhada na lua de Claudia Sousa Lima às 12:55:18
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Poderia escrever à alegria. Mentira! Estou triste. A solidão não
deseja  deixar-me em paz.  Os  risos e as gargalhadas escondem a
natureza crua  de um viver o qual  deseja  esvair-se em folhas e
flores.  Como escrever sobre a prazerosa caminhada que segue, se
não há desejo no desejar a fome exigida para tanta andança?

Poderia cantar cânticos e canções amenos e suaves, na lamentável
tentativa de  conter a chuva que cai em jatos longos e frios, os
quais amaldiçoam a perpetuada magia de estar no lugar errado, na
hora errada. Como  cantar com a voz fechada, enclausurada, presa
num grito medonho e horripilante, anunciador da morte velada?

Poderia deter-me por infindáveis horas de puro cárcere insalubre
e tépido, buscando  corroborar a  profecia auto-imposta da plena
insatisfação e incapacidade de vomitar a dor aguda cujo conteúdo
cheira a sangue e sal.  Como deter-se em medidas de tempo no que
é atemporal, obscuro, fétido e putrido?

Poderia pisar e pisotear as brasas quentes de um coração perdido.
E findar as faíscas que, insistentemente e sem pudor, brincam na
possibilidade de  transformar veios em trilhas.  Como calcar com
calcanhares  feridos, em carne viva,  o bombear  vacilante de um
dispositivo explosivo?

Poderia, simplesmente,  açoitar-me a pele com  chicotes de couro
curtido, pagando pelos devaneios e desatinos,  testemunhas mudas
do desalinhar de órgãos e ossos, músculos e veias.  Como punir e
atribular o coito inconstante, vil, inalcançável das felicidades
primeiras, das tolices irreais, dos golpes destinais?

Poderia amargar o sabor da autofagia, da língua fendida e engolir
em goles magoados, a quase indubitável concepção fértil de que há
um desviar dilacerante no breve instante do abrir a boca e sorver
o alimento, do mitigar e do mastigar, do triturar dentes e cuspe.
Como padecer os gostos, quando a saliva amolece dentes, gengivas,
língua e lábios?



 Uma caminhada na lua de Claudia Sousa Lima às 21:51:25
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   Choupana na Aldeia

Em meio ao raso, sem reflexo e sem fala
Acorda e fala com a língua cortada em duas
Discorda da linha das Moiras
Mareia como mar que não cala





Em meio ao teu redemoinho
Constrói, para ti e para todos, uma choupana em pedaços
Monta um leito de sedas, pérolas e laços
E não se esqueça do resguardo no caminho

_______________________________________________________


Estes poucos versos se gestaram após ler, reler e ver a Hamlet.
Depois que os escrevi, procurei pelo significado do nome Hamlet
e o interessante é que significa "da terra fechada, inclusa" ou algo
como aldeia pequena.
Para pensar e sentir, não?

 Uma caminhada na lua de Claudia Sousa Lima às 10:40:08
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   Do arrebatamento à sobrevivência...

Enquanto a poesia pediu descanso, pensou em ser anti-poeta.
Como   seria  viver   sem  cantar  as   solidões  e   saudades?
Acordou  e já não sentia uma gota de vontade ao escrito. Foi
até  a janela  e não  sentiu o  calor do  sol.  Penou  para abrir
os olhos e hidratar a  boca.  Algo não estava ali. Os caminhos
foram   ocultados  e  deixados  em   trilhas  de  pedras  duras,
selvagens e devoradoras.  Já não  escrevia cartas,  já não  lia
os amigos.  Já não se deixava ser penetrada, não podia perder
o falso controle que de suas mãos jorravam incertezas de uma
vida sem solidões e saudades.

Passou sem comer, comendo bastante e sem paladar. Enchendo
as vísceras de carnes,  legumes... de folhas verdes.  O  azedo
agridoce já não se  dissolvia  em sua boca,  não se  espalhava
entre as papilas  gustativas  que antes  lhe  proporcionavam a
deliciosa sensação de contrastes  que lhe dominavam naqueles
breves segundos entre o mastigar e o engolir.  Tudo era oco e
pesado. Tudo era sem solidões e saudades.

Ainda  ao  fim de cada dia,  não  desejava  olhar o sol  indo-se
para o outro lado.   Não percebia a  imensidão  de cores e tons
que  brilhavam  e  chamavam por ela.  O fim do  calor era  uma
certeza inépta  de que  tudo estava como  esperado.  A poesia
estava seca.  A vida sem escolhas.  A vida não jorrava e assim,
não ameaçava entrar entre os vãos e perder-se entre os dedos.

Em cada noite,  sentia ocultar-se  mais e mais a  leve sensação
de que era  inútil  esconder-se à  poesia que, de alguma  forma,
havia  se  hidratado   nas  ausências  de  solidões  e  saudades.
Numa  fatídica  noite,  percebeu-se  só  e solitária,  embora  em
companhia da poesia.  Trocou a  ausência pela presença e, com
dedos tortos, escreveu sobre monstros e sereias.



 Uma caminhada na lua de Claudia Sousa Lima às 12:49:50
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   A um Escritor de Sentimentos

Porque as palavras são
Porque as palavras desejam o mar
Porque as palavras "sonham" amar
Porque o escrito é vero

Porque nas entrelinhas há dor
Porque ao redor há furor
Porque a canção vem em branco
Porque a melodia é fugaz

Porque o escritor é denso
Porque a escrita é desnuda
Porque a ferida é aberta
Porque ELA é natureza pura

Porque há verso no fato, no relato
Porque o gozo é permitido
Porque a boca não cala
Porque o momento é indizível

Porque o amor é valente
Porque o poeta é quente
Porque o silêncio é companhia
Porque o grito é alegoria

Porque no caminho há sorriso
Porque na estrada há presença
Porque a manhã é dourada

A mão expressa a lágrima
Os dedos dedilham a imensidão

Não é sempre que se pode testemunhar
a vida inteira, ainda que não ilesa.
Íntegra pelas metades.


Orfeu e sua lira




A um novo amigo, poeta, escritor, humano, louco e são.
A um novo velho amigo, que fas-cina, vela e desvela.
A ti, Marcelo e a tuas palavras.

 Uma caminhada na lua de Claudia Sousa Lima às 15:29:28
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   Versando...verbalizando...

Me esqueço de deixar de sentir o gosto amargo
Amargo a dor de gostar de sofrer o estrago
Estragam-se as folhas jogadas e despedaçadas
Despedaço as lembranças en-lutadas

Luto as contendas talhadas
Talho o meu leite em gotas azedadas
Azedam-se as propostas de amor sublimado
Sublima-se a escolha do adeus esperado

Espero a volta da canção nunca cantada
Canto os versos da morte anunciada
Anuncio o parto do deus não-revelado
Revelam-se as loucuras do náufrago embriagado

Embriago-me na fonte do cálice ardente
Ardo na língua do amante ausente
Ausento-me da felicidade profanada
Profano a cura da magia amada

Amo o profundo abismo iluminado
Ilumino a aresta da porta estilhaçada
Estilhaçam-se os restos do gostar transitivo
Transito em atmosfera escura e chuvosa
Chovo em mares arrebatadores

Arrebato a beira, a periferia
o meio, o centro,
as profundezas, as raízes,
tudo o que é penetrável...



 Uma caminhada na lua de Claudia Sousa Lima às 20:39:41
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   Sonhar, amar, rir!!



 Uma caminhada na lua de Claudia Sousa Lima às 23:28:10
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   Pesada, prenha, repleta, grávida!

Vivo cada vez mais
de desejos tortamente realizados,
em sonhos que não lembro.

De que vale o desejo sem realização?





 Uma caminhada na lua de Claudia Sousa Lima às 19:10:50
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   Cambaliante e tépida, persisto...

Enquanto a solidão perambula,
tornando-me cambaliante e tépida...

Bebo café na tua xícara
Tosto o pão como tu gostas
Como requeijão...

Uso teus chinelos
Lavo os cabelos com o teu shampoo
Banho-me na tentativa de que se vá o vazio
Enxugo-me com tua toalha

Leio Nietzsche
"Ontem a lua, ao nascer,
pareceu-me que ia dar à luz um sol"
Leio Moore, Capra e até sobre Inteligência Artificial
Te busco nos cantos dos livros

Leio nossas cartas de amor
Sorrio e choro com a lembrança
De momentos românticos, ridículos
Grito teu nome e não me acho

Durmo no teu lado da cama
Cubro-me com o teu lençol preferido
Descubro-me como tu, repito o teu ritual
Há frio em noite quente

Ouço Neruda
"Oir la noche immensa, mas immensa sem 'elle'"
A noite está languidamente impertinente
A imensa escuridão noturna dói sem ti

Da janela do nosso quarto, vejo o sol nascer devagar
E ainda que a solidão persista
Faço tudo novamente para te sentir


O Amanhecer em Brasília


 Uma caminhada na lua de Claudia Sousa Lima às 10:40:11
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   E que "a tigresa possa mais do que o leão"

Verti sangue mais de uma vez neste último ciclo
O sangue não era de leoa, era de tigresa
O sangue não era vermelho, era negro

Verti sangue em gotas solenes e pesadas
Pingando uma vez e outra e mais uma vez
Escorrendo pelos caminhos e cantos e dobras

Verti sangue, não um sangue menstrual
Era sangue em mal, mas às vezes "o mal é bom e o bem cruel"
Jorrando através da desfaçatez de ser menina
Esquecendo da gravidade de ser mulher



Verti sangue com dor aguda, faca cortando a carne
Expondo aos poucos um negro quase rubro
Um concentrado de travos no céu da boca
Era um sangue odioso e temido

Ver-ti, ver-me em vermelho ferroso
Verti sangue e o ventre está cheio novamente

 Uma caminhada na lua de Claudia Sousa Lima às 01:32:18
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   Que



Que corroa (em mim) a imensidão de um coração sombrio
Que se roa a corda que prende uma vida submergida
Que jorre sangue como metal quente durante a subida
Que pingue sal e açúcar em desvario

Que as centelhas carreguem, descarreguem o arrebatamento
Que a explosão ocorra, corra, morra no simples corte
Que se dobre o som fulgás do consorte
Que as indeléveis marcas lacerem, dilacerem o firmamento

Que acima de tudo eu viva morrendo a cada evento
Que acima de tudo eu morra vivendo a cada momento

 Uma caminhada na lua de Claudia Sousa Lima às 00:20:33
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   Claudicando...



Vivo de quase tudo pela metade
Sinto o furo do prego na mão esquerda
E passo dias mancando e rindo da perda
De uma esperança capenga na felicidade

Vivo com a córnea sangrando e machucada
Num olho funesto envesgando-se à direita
E outro, que amargura e enluta, à espreita
De uma verdade vacilante e intocada

Vivo como vidro soprado em porta entre-aberta
Um dedo acaricia o prego da mão em devaneio
Vendo no furo o oco que circunda o meio
Gracejando e escarnecendo da ferida encoberta

Vivo de pele estirada, de película a definhar
Claudicando os odores destoantes de uma cavidade voraz
Proferindo ser pró-ferir, ser pró-mordaz
Carregando na coxa os destroços de me desalinhar

Vivo dobrando joelhos e cotovelos
Subordinando-me no desejo mais vil e atroz
Acotovelando-me numa auto-estrada vazia e veloz
Preferindo a intriga de criar meus próprios novelos

Vivo dos nós dos dedos, das linhas de cada mão
Do produto processado no frenético roer de unhas
Num lado, uma unha negra cede-me alcunhas
No outro, um círculo corta a carne em renovação

A dor às vezes é prazer, às vezes é sofrimento

 Uma caminhada na lua de Claudia Sousa Lima às 11:47:48
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CORROENDO
ROENDO
A CORDA
CORRENDO
DENTRO
DO
CAOS

 Uma caminhada na lua de Claudia Sousa Lima às 14:59:20
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   Cântico



Conheço o motivo para deixar-me assim
Meu coração, parvo e inculto, não conhece
Apenas pulsa quando tua presença comparece
E descompassa quando a felicidade chega ao fim

Selene, Hécate e Ártemis, irmãs da escuridão
Suplico por feitiços e veneno
Um pingo tornaria este rio mais ameno
E ainda que menos obscuros, meus redemoinhos não se vão

Aproprio-me do teu cheiro doce e aerado
Perscruto-me nesta dor sombria
Fórmula incandescente de lama e agonia
Sal e azedume em ferro forjado

"Vem buscar-me, vento veloz"
Meu cântico nos calabouços da região sem norte
"De profundis", grito meu horror na morte
Da garganta do Hades vem o meu algoz

Contudo, regressas e tranqüilizas a correnteza
Deixas tua marca indelével sob esta massa motriz
Pintura oculta de corante, sangue e cicatriz
E este apego da alma como única certeza



 Uma caminhada na lua de Claudia Sousa Lima às 13:13:28
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   Em fuga

E fugi como agora fujo das idéias e dos sentimentos
Fugi da vida por medo ao enfrentamento
Fugi como se fosse possível



Fugi do amor, embora ele tenha me encontrado depois
Fugi e quando me acostumava só, ele me surpreendeu
Fugindo... continuo...
Construindo a fuga e o caminho

 Uma caminhada na lua de Claudia Sousa Lima às 11:27:45
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Um contorno para este lado escuro
BRASIL , BRASILIA, Mulher, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Livros, Arte e cultura




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